Contos de um mundo – Noite de Lágrimas

Surgiu uma ideia para um conto de mistério e suspense ao ver um episódio do anime Captain Earth, então decidi aproveitar e publicar parte do que pensei até agora para não perdê-lo.

É difícil ver o fim de uma revista em que trabalhei por tanto tempo, mas um dia tudo chega ao fim, por outro lado essa última edição da Casos Estranhos permitiu a todos nós, colunistas, a chance de publicar algumas das histórias que foram rejeitadas no passado por motivos diversos e este é o caso desta matéria que escrevi a 8 anos atrás. Nessa época eu tinha apenas um ano de revista, curiosamente esta foi a única matéria rejeitada pelo meu editor sobre “casos inconcluídos” de toda a minha carreira. O motivo que meu editor informou sobre tal rejeição, foi a falta de documento, de modo que a história podia parecer que foi inventada, mas eu sei bem que o verdadeiro motivo foi o quão perturbador a história era para a época, mesmo em se tratando de um caso já ocorrido a mais de vinte anos.

A minha matéria revisita um caso ocorrido na capital de nosso país no ano de xxxx, o caso de seis crianças dadas como desaparecidas que foram encontradas mortas em um apartamento vazio de um prédio do centro da cidade em um noite de terça. O caso repercutiu durante algum tempo na mídia e foi chamado de Noite de Lágrimas, porque as crianças mortas foram encontradas sobre lágrimas que claramente foram derramadas por elas próprias. No mesmo apartamento havia um homem, também morto, mas de um modo diferente das crianças, falarei sobre a causa da morte delas mais a frente, ele havia sido baleado na cabeça. Na época o caso foi encerrado pela polícia que alegou que o assassino das crianças era o homem morto, um pedófilo procurado. Segundo o relatório policial, após matar as crianças ele se arrependeu e tirou a sua própria vida. 

Claro que essa versão foi contestada, porque algumas imagens vazadas do relatório da polícia foram o suficiente para que peritos informassem que o tiro que o homem em questão, de fato um pedófilo procurado, levou não foram disparados por ele próprio dado a trajetória que a bala que causou a morte teria de fazer para que o corpo estivesse na situação que se encontrava. Além disso, os peritos informaram que a bala que teria sido usada em tal morte condizia com a das armas utilizadas pelos policias na época. Para piorar, o primeiro policial a chegar no local jamais falou com a mídia e foi internado em um sanatório uma semana depois do caso, onde viveu por vários anos até morrer de câncer.

A versão não oficial que circulou, dado os fatos apresentados, era de que o policial viu algo tão terrível que o deixou louco a ponto de matar o homem que ali estava. Esse tal algo é o grande mistério, porque o pedófilo tido como assassino destas crianças não havia as violado segundo a perícia, além disso, o tal homem havia desaparecido de um cerco policial em uma outra cidade há milhares de quilômetros de distância dois dias antes, enquanto que as seis crianças já haviam sido dadas como desaparecidas a mais de uma semana, elas desapareceram em dias diferentes e aparentemente não tinham nenhuma relação entre si. mas as questões mais misteriosas deste caso são o fato de todas elas estarem chorando quando morreram e a causa da morte destas crianças, que segundo os legistas, foi falência múltipla dos órgãos, algo que seria praticamente impossível de uma terceira pessoa provocar, principalmente sem tocar na vítima, e como já citado, nenhum dos corpos foi violado.

Nunca foi descoberto o que aconteceu de fato naquela noite e por isso decidi investigar mais a fundo para saber se seria capaz de descobrir algo. Para tal fim, decidi entrevistar os parentes das vítimas, alguns dos policias responsáveis pelo caso, incluindo alguns policias que estiveram na “cena do crime”, médicos que trabalharam no sanatório onde o policial que encontrou as crianças primeiro foi internado, conhecidos do suspeito e jornalistas da época. Enfim, não consegui desvendar o caso, na verdade surgiram novas dúvidas, ou porque não dizer, novos mistérios.

A seguir compartilho uma compilação das entrevistas para que nossos leitores possam tirar suas próprias conclusões e formular suas próprias teorias. Vale apenas deixar claro que o trabalho investigativo dessa matéria desconsidera qualquer um das teorias já existentes ao redor do caso, porém não posso garantir que todas elas são infundadas.

Bem, sobre o conto, é isso que tenho até então. A continuação natural dele seria a criação dessas tais entrevistas que cito no último parágrafo, mas não pensei tão longe. Fiquem a vontade para continuá-lo se quiserem ou esperem pela publicação da continuação, no entanto, provavelmente não a farei tão cedo ou talvez nem a faça.