Yopinando sobre… o seriado The Flash

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Estreio hoje uma coluna nova no Yopinando (meio estranho esse lance de coluna no Yopinando) onde irei opinar e divagar sobre coisas que vi ou que estou vendo e que gostei (eu não gosto de falar de coisas que não gosto) apontando alguns pontos positivos, outros negativos e indicando porque eu gosto de tal coisa. E eu vou começar com um seriado de super-herói, trata-se do seriado The Flash, o de 2014, não o dos anos 80.

The Flash é um seriado da Warner lançado no canal CW e que adapta a história do super-herói da DC Comics, The Flash. A história é protagonizada pelo jovem cientista forense Barry Allen, que numa certa noite foi atingido por um raio originado de um tempestade provocada por um acidente que causou uma explosão num acelerador de partículas sitiado em Central City. Esse acidente fez com que Barry entrasse em coma por 9 meses, mas ao acordar ele havia mudado, agora ele é o homem mais rápido vivo, podendo alcançar velocidades inimagináveis, sendo capaz até de vibrar suas células (ops! Melhor parar por aqui)… Com esse poder e com a ajuda de um grupo de cientistas anteriormente responsáveis pelo acelerador de partículas que provocou a mudança em Barry, ele irá se tornar o Flash, um super-herói que combate o crime em sua cidade e impede que outros super-poderosos como ele provoquem catástrofes.

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Por ser uma série do CW, a primeira ideia que muita gente tem é que essa é uma série para adolescentes e principalmente para adolescentes do sexo feminino, o que é um pensamento preconceituoso bem idiota né? Claro que é uma série cujo público alvo principal são adolescentes e jovens adultos, porque adolescentes e jovens adultos devem ser o público alvo de 95% das séries televisivas, afinal são eles que realmente assistem seriado, inclusive os da HBO. Porém,The Flash consegue algo que em minha opinião nenhum seriado atual conseguiu, ter o clima de história em quadrinhos, o que pode ser impeditivo ou chamativo para as pessoas,e  particularmente eu gosto muito disso.

O que eu percebo é que o século 21 se tornou um século muito pé no chão e sombrio para produtos televisivos e muitas vezes para o meio cinematográfico. Em especial, produtos da DC Comics em mídia televisiva e no cinema claramente começaram a adotar essa estética mais sombria e pé no chão após o sucesso estrondoso dos primeiros dois filmes da franquia do Batman dirigidos por Christopher Nolan. Por um lado isso aflorou o interesse da Warner/DC por produzir seriados e mais filmes baseados em super-heróis, o que culminou no surgimento do seriado Arrow, que abriu espaço para o surgimento de novos seriados de super-heróis da empresa. Ao se assistir Arrow é bem clara a influência  dos filmes do Batman em todas as suas temporadas já exibidas (no Demolidor também). Por outro lado, os super-heróis da DC sempre tiveram histórias muito mais pautadas na ação descompromissada, no heroísmo real e, às vezes, no bom humor.

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The Flash surgiu então dentro do universo criado por Arrow revigorando essa questão do heroísmo por heroísmo e da ação sem o compromisso extremo com a verossimilidade (sim essa palavra existe). Claro que muitos aspectos clichês de séries para o público adolescente/jovem adulto existem na série, mas eu posso falar o mesmo de The  Walking Dead por exemplo.

Um dos pontos mais interessantes do seriado, são o roteiro e o visual que remetem muito a histórias em quadrinhos, principalmente as histórias do próprio flash, inclusive é muito interessante o respeito que a série tem pelos quadrinhos, mesmo com mudanças óbvias em relação as HQ’s, afinal é outra mídia. Mesmo sendo uma série de tv que conta com recursos de efeitos visuais muito aquém do cinema, não parece haver medo por parte da direção e da produção em apostar. São tantos poderes diferentes, de dimensões completamente diferentes que a proposta se vende muito bem ao ponto de ser fácil relevar um efeito menos interessante. Ok! temos vilões que só viram fumaça, mas tem vilão que causa tsunami, tem anti-herói que fica em chamas e tem cene de super-herói contracenando com policiais comuns e com um arqueiro, isso é muito típico de quadrinhos!

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A série não tem melhores as atuações do mundo, embora grande parte do elenco, em especial o protagonista, atuem bem para a proposta da obra (eu acho que todo mundo é bem esforçado). Há inserções de cenas de romance que se tornam por vezes maçantes, há alguns episódios claramente fracos, mas a série como um todo se sustenta muito bem.

Acredito que um dos maiores méritos da série está no fato de a equipe ter definido  uma proposta e seguir acreditando nessa proposta do início ao fim, sem ter medo de fatores externos. É muito legal finalmente voltar a ter um super-herói que age pelo heroísmo, não por vingança, não para ser um super símbolo, e nem apneas para deter um super ameaça, mas simplesmente por saber que pode ajudar as pessoas e para ajudar as pessoas. Existe um arco maior na história que está relacionado ao passado do Barry, mas ele ainda coloca o lado heroico acima de outras questões durante toda a série.

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Enfim, The Flash está longe ser a melhor série já feita, e até mesmo como série de herói eu prefiro o seriado/filme de 12 horas  do Demolidor, mas é um série que sustenta e que que se vende muito bem, que sabe balancear bem as características de história de super-herói com o fato de ser uma série para adolescentes e jovens adultos exibida em um cnal de tv aberta (nos EUA). E que junto ao primeiro filme dos Vingadores é provavelmente uma das únicas séries do século atual que soube levar para um mídia áudio-visual o espírito clássico das histórias em quadrinhos. The Flash é uma série atual que tem o esprito da era de prata dos quadrinhos de super-heróis.