Diário de um cinéfilo: A menina que roubava livros

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Tarde de quarta-feira sempre é um dia estranho para ver filmes, parece que você é a única pessoa que não está trabalhando, mesmo que esse seja aquele dia de promoção no cinema. Me lembro que quando eu comecei a trabalhar numa operadora de plano de saúdes, quase toda a semana eu ia aos cinemas nas quartas a noite após sair do trabalho, mas tudo foi mudando e isso começou quando o trabalho, nesse mesmo lugar, ficou ainda mais pesado… Deixando minha vida profissional de lado, o fato é que hoje fui ver A menina que roubava livros, mais uma adaptação de um livro que não li e por isso mesmo sigo sem me preocupar com modificações feitas, afinal filme é filme e livro é livro, menos quando se trata de o O Hobbit: A desolação de Samug.

Como não sabia nada do livro e me lembrava pouco do trailer, o fato de a história ser narrada pela morte me impactou logo de cara e eu gostei bastante da parte narrativa. A morte conta a história de Liesel Meminger, uma filha de mãe comunista que vai morar sobre os cuidado de um ex-soldado alemão e de sua esposa que mora em um lugar chamado rua paraíso. Durante a viagem para sua nova casa, o irmão de Liesel morre. Liesel vai ter problema para se adaptar a nova morada, mas com a ajuda de um amigo e de seu padrasto, vai conseguir superar a separação de sua mãe e se tornar um ávida leitora. Após uma cerimônia nazista, quando vários livros são queimados, a jovem acaba surrupiando um dos livros que conseguiu resistir as chamas abaixo do monte de cinzas de outros livros, sendo esse seu segundo e principal roubo, o primeiro foi o manual que o coveiro deixou cair após enterrar seu irmão. A história toma tons dramáticos, quando um judeu chamado Max, filho do homem que salvou a vida do padrasto de Liesel durante a primeira guerra, vai se esconder junto a Liesel e sua família…

O filme tem um história que prende a atenção do espectador e leva-o a torcer pela jovem protagonista, nesse ponto o diretor iniciante (ao menos no cinema) Brian Percival fez bem seu trabalho, pena que a atuação do núcleo mirim deixa a desejar. Apenas a protagonista convence no papel que lhe cabe. Quanto ao estrelado núcleo adulto do filme, fora os traços ingleses dos pais da menina, ele cumpre bem seu papel e compensa a imaturidade das crianças em parte da obra. A parte visual e sonora do filme me agradou bastante, o espectador é levado aos tempos de segunda guerra, ou pelo menos imagino que assim seria em parte esses tempos dado tudo que li e vi sobre o assunto, embora tenha lá minhas dúvidas se certas cenas contemplam o livro, pois me pareceu uma espécie de forçação de barra pelo fato de o filme ser americano.

O filme me divertiu bastante, embora não tenha me emocionado tanto, como acho que era a intenção. Ele é um bom, apenas não chega a ser nenhuma obra prima, mas deve agradar ao fã casual de cinema que não quer ver somente piadinhas, explosões, sangue e sexo, nem aquele “cri cri” que se preocupa com cada detalhezinho do filme. Enfim, achei que valeu a pena pagar pelo ingresso e pelo copo de 700 ml de coca-cola, foi uma tarde de que não me arrependo.